Morei na Espanha dos quatro aos dez anos, e foi lá que tive contato cedo com tecnologia, olhando meu irmão jogar. Aos seis anos, eu ficava horas só assistindo ele em World of Warcraft, sem nem jogar, só acompanhando. Anime e jogos viraram duas paixões que carrego desde então.
Quando voltei pro Brasil, perdi o contato com computador por um tempo, até meu irmão comprar um de novo e eu voltar a me aproximar da tecnologia.

No ensino médio, tive a oportunidade de cursar técnico integrado no IFRO, entre Química e Informática. Optei por Química, e foi lá que ganhei um olhar de pesquisador, num estágio no controle de qualidade de alimentos do próprio instituto.
Fizemos uma visita técnica ao INMETRO, no Rio de Janeiro, onde vi de perto como se conduz uma pesquisa de análise química1.
Depois do ensino médio, num período mais ocioso, assisti Sword Art Online e Accel World2, animes que giram em torno de realidade virtual imersiva através do NerveGear, um aparelho fictício que recebe informação do cérebro, processa, e devolve pro cérebro. Foi esse conceito que me despertou o interesse por neurociência.
Com isso em mente, busquei uma graduação que cruzasse exatas com biologia, focada em neuro, e entrei em Engenharia Biomédica pelo SISU. Na época, só tinha vaga em três instituições, e por sorte escolhi a UFRN, justamente onde ficam o ISD e o IIN-ELS.
No primeiro semestre presencial (2022.1, ainda em pandemia), aprendi lógica de programação em JavaScript desenvolvendo a Torre dos Labirintos3, meu primeiro contato real com código.
Não quis esperar a grade de neuro chegar na faculdade, então fui atrás por conta própria. Depois de assistir uma palestra do ISD na UFRN, fiz a primeira visita em 26 de maio de 2022, gostei de cara, e voltei em 9 de junho do mesmo ano, dessa vez como voluntário.
Os primeiros meses foram só de aprendizado, conhecendo a instituição e os projetos em andamento. O primeiro projeto relevante que peguei foi o de interface cérebro-máquina com André,, e foi ali que de fato comecei a programar de verdade.

O estágio na DNA Center, começado em julho de 2024, foi meu primeiro passo pra consolidação como desenvolvedor profissional. Até ali, meu aprendizado tinha sido mais informal, entre a pesquisa e as matérias da faculdade. Foi ali que passei a ter contato de verdade com versionamento de código e com o processo completo de desenvolver um projeto, planejamento, organização, metodologia ágil e Scrum, uso do Jira, backend e frontend, deploy em VPS e em serviços de nuvem, a diferença entre banco de dados relacional e não relacional, com experiência prática em Firebase, PostgreSQL e Supabase, além de infraestrutura, pipelines de CI/CD, planejamento de ambientes de teste, homologação e produção, e integração com sistemas e APIs de terceiros. Cheguei a treinar outras pessoas no uso de ferramentas novas.
O objetivo inicial do estágio era criar, do zero, um projeto pra ajudar os funcionários a identificar exames mais rápido usando IA. Desenvolvemos, treinamos, coletamos dados e aplicamos. Foi nesse processo que tive contato direto com o usuário, precisei analisar o cenário e propor estratégia, aplicar, validar, coletar feedback e melhorar. Essa experiência me ensinou muito sobre como implementar um projeto de verdade, como um usuário se comporta e quais reações esperar.
No meio desse período também fiz freelances, entre eles um site em Next.js para a Madrid Carpintaria.
Foi nesse contato direto com o usuário, lá na DNA Center, que notaram minha facilidade de conversar, entender o que a pessoa precisa e traduzir isso em algo pra desenvolver. É por causa disso que hoje, na Kodacoda, onde entrei em agosto de 2025 como desenvolvedor full stack, estou migrando pra uma posição de Product Owner, tentando replicar o que fiz naquele projeto específico, mas agora pra todos os produtos da empresa. Tem sido desafiador.
Em paralelo, estou numa fase de desligamento da pesquisa no ISD, focando por enquanto na carreira como desenvolvedor e agora como PO, mas com a intenção de voltar à pesquisa no futuro.
Foi também no primeiro semestre de 2025 que migrei de Engenharia Biomédica para o Bacharelado em Ciências e Tecnologia. A grade de CeT é extensa e engloba boa parte da de Engenharia Biomédica, então dá pra emendar uma na outra depois, e assim já garanto o diploma de bacharel antes de seguir pra engenharia.